quarta-feira, 22 de março de 2017

História da península ibérica

De acordo com o Mapa , podem ser notados os diferentes povos que habitaram a Península Ibérica antes da colonização do Império Romano e que devem ter contribuído decididamente com o substrato local na origem do processo de formação das línguas atuais. Por exemplo, nota-se que a região que foi o berço do galego português era, no período pré-romano, ocupada pelos povos galaicos e lusitanos que ali deixaram um substrato característico de seus falares como herança linguística.

No ano de 210 a. C., iniciou-se a colonização da Península Ibérica como empreendimento da expansão do Império Romano, que inicialmente, conforme o Mapa 2, nota-se que se deteve no litoral mediterrâneo principalmente visando a estabelecer o domínio de cidades de colonização grega e fenícia. Posteriormente, de 197 a 133 a. C., durante o Império de Augusto, houve uma grande investida em direção ao interior da Península com sua quase total incorporação ao Império, ficando apenas o extremo norte povoado pelos bascos e cântabros, e extremo noroeste, povoado pelos galaicos à margem imperial. Segundo Bassetto (2001, p. 102), somente em 19 d.C. os povos do norte e noroeste foram romanizados, ainda que Estrabão, em sua Geografia (29 a. C.), afirme que estes povos caracterizavam-se pela “brutalidade e selvageria”.

Durante o processo de romanização, foram introduzidos vários elementos socioculturais desconhecidos pelos povos autóctones, tais como: o direito romano; a língua latina (processo de latinização); a organização militar, civil e política; que foram assimilados pelos povos autóctones da Península conforme a estratégia de colonização aplicada a cada localidade, visando à manutenção e integridade do Império.


Como reflexo dessa romanização, nota-se no Mapa , que na evolução da divisão política, a região dos povos galaicos foi a de último interesse para o Império Romano. No ano 287, a Gallaecia, província do Império de Dioclesiano, foi descrita por geógrafos e historiadores como os territórios compreendidos desde o Mar Cantábrico até o rio Douro e, desde Finisterris até a Cantábria. Suas principais cidades eram Brigantium, atual cidade de A Corunha; Lucus Augusti, atual cidade de Lugo; Braccara Augusta, atual cidade de Braga e Portucale, atual cidade do Porto.


Segundo Monteagudo os factores fundamentais que contribuíram para a latinização da região noroeste da península foram: a reorganização político administrativa com a demarcação do território, que afetou principalmente as elites locais; o exército romano, que afetou diretamente os falares das classes mais baixas; a política de concessão de direitos e de cidadania romana; a criação e o crescimento das cidades; a exploração mineira; a escola de Braga; a rede viária que facilitou a mobilidade territorial e possibilitou a integração da Gallaecia ao resto da prefeitura de Hispania, promovendo também a intensificação das atividades comerciais e a imigração de latinos falantes em direção à região.

É interessante notar que, se por um lado, a mobilidade no território promoveu uma grande variedade linguística, por outro lado se apoiou no uso do latim como língua franca. Segundo Monteagudo (1999, p. 56), em termos sociolinguísticos, a diglossia proveniente da latinização acabou desencadeando um processo massivo de assimilação linguística, que culminou com a extinção das línguas autóctones na parte ocidental do Império.

Dessa maneira, o latim se sobrepôs às línguas locais e distintas em épocas diferentes na Península Ibérica, significando que, durante a romanização, nunca deve ter havido uma unidade linguística total na região peninsular. Também, convém notar que os distintos povos conquistados ao adotar o latim, devem ter passado a pronunciá-lo com seus próprios hábitos articulatórios e a incorporar ao seu léxico palavras autóctones, formando variedades dialetais características. Com a construção das vias romanas, foi estimulada a maior interação entre os povos, propiciando as mais variadas interferências linguísticas, além do contato permanente com Roma e suas variantes do latim. Segundo Bassetto (2001, p. 110):

A norma vulgar foi preponderante no processo de difusão e fixação do latim nas províncias, uma vez que era falada pelo exército, pelos colonos civis e militares e pelos comerciantes – que mantinham contato direto e permanente com as populações autóctones.

Assim, a Gallaecia, uma das últimas regiões a ser romanizada na Península, já moldava suas características, como fruto sociolinguístico, na assimilação do latim.

Com o enfraquecimento do Império Romano no final do século IV, segundo Bassetto começaram as grandes migrações de povos não romanos que duraram quase dois séculos.
Os vândalos, povos germânicos orientais e linguisticamente ligados ao gótico, estavam divididos em: ásdingos e sílingos; que, como aliados dos suevos (povos germânicos ocidentais) e dos alanos (de origem indo-iraniana), chegaram à Península Ibérica.
Os suevos e ásdingos seguiram para a região da Gallaecia, os alanos (povos não germânicos) para a Lusitânia, e os sílingos para a Bética.

Posteriormente chegaram os visigodos à Península, originários do sul da Escandinávia, que dizimaram os sílingos na Bética e perseguiram os alanos e ásdingos, obrigando-os a se fixarem na região de Vandalusia, “terra dos vândalos” (atual Andaluzia).

De acordo com Mariño Paz os povos ásdingos (vândalos), que inicialmente se fixaram na Gallaecia juntamente com os suevos em 411, se deslocaram da na região entre o rio Douro e Tejo, já em 419, para o sul da Bética e, posteriormente para o norte da África, sendo perseguidos pelos visigodos da Península e pelas milícias do Império Bizantino. Assim, em 534, a região de Vandalusia foi tomada pelo Império Bizantino de acordo com o empreendimento militar de destruir o reino vândalo, conforme o ilustrado no Mapa .

Segundo Monteagudo , os suevos, pouco romanizados e, inicialmente, não cristãos, seriam os responsáveis por dar início ao particularismo da língua galego-portuguesa, ao se instalarem na Gallaecia no início do século V, em 411


A fusão dos povos galaicos-romanos e suevos, foi um processo prolongado que parece somente ter se estabilizado em 559 com a conversão destes ao catolicismo. Seu reino ocupou desde a região norte do rio Tejo e toda a província da Gallaecia com a capital em Braga, mas sucumbiu em 585 com as campanhas de expansão do reino visigodo de Leovigildo, que em 618 já dominava quase toda a Península Ibérica, conforme o exposto no Mapa.


Para Mariño Paz , o fato de a Gallaecia permanecer durante um século e meio, ou mesmo durante os três séculos da ocupação germânica, praticamente isolada do resto da Península, favoreceu tendências de desenvolvimento que já viriam da época romana e que naquele momento encontraram uma realidade sociopolítica que as alimentou.
Entretanto, segundo Bassetto a superposição dos visigodos aos suevos tornou difícil distinguir as influências específicas do superstrato suevo. A formação dos reinos germânicos, segundo Wartburg rompendo os limites do Império, influiu decididamente na formação dos espaços linguísticos românicos, ao quebrar as linhas de comunicação com as diversas partes imperiais.

No caso da Hispânia, os suevos e visigodos, segundo Teyssier  “tiveram um papel particularmente negativo: com eles a unidade romana rompe-se definitivamente e as forças centrífugas vão ponderar sobre as de coesão.” Não obstante, segundo Mariño Paz o analfabetismo dos povos germânicos contrastava fortemente com a tradição romana, além disso, a cristianização destes povos e a grande importância política adquirida pela Igreja Católica entre os visigodos durante os séculos VI e VII, foram os principais fatores que levaram o latim a se consolidar como língua na Península Ibérica, mesmo diante das línguas dos povos dominantes.

De acordo com Bassetto no século VI, iniciou-se uma grande expansão dos domínios árabes impulsionada, principalmente pela incipiente religião Islâmica. Após a morte de Maomé, em 632, com a Guerra Santa, em dois anos a expansão, encabeçada pelo Califa Abū Bakr, estendeu –se por toda a Península Arábica. Com o Califa Omar, o Império Árabe tornou-se uma teocracia com administração militar, na qual o comandante militar era também o governador civil, chefe religioso e juiz supremo. Em 645, o Império Árabe já dominara a Síria, a Palestina, o Egito e a Líbia, e, em 698, também toda a África do Norte, conforme ilustração do Mapa .


Dessa forma, pouco mais de cem anos foi o tempo bastante para que os árabes tivessem conseguido estender sua religião e língua bem como seu domínio político em um imenso espaço que ia desde o Oceano Índico ao Atlântico. Segundo Saraiva os fatores que explicaram essa rapidez foram a fraqueza dos impérios vizinhos: Império Persa e Império Bizantino, as ferozes lutas religiosas que então se travavam no Oriente Próximo, entre judeus e cristãos e a situação das populações oprimidas das áreas conquistadas, que em várias regiões, como por exemplo, no Norte da África e toda Península Arábica, os acolheram como libertadores.

Devido à rapidez da conquista e facilitada pelo traçado das vias romanas, em 711, a expansão do Império Árabe já se iniciava na Península Ibérica, com as conquistas de Tārik e Mūsā, durante a dinastia dos Omíadas. Segundo Bassetto no ano seguinte, Tārik já conseguira a conquista de Toledo, e em 732, quando já conquistara quase toda a Península, foi derrotado na batalha de Poitiers pelos Francos, conforme Mapa .


De acordo com Saraiva também a atitude dos povos visigodos da Península favoreceu o seu rápido domínio, pois a situação das populações perante o domínio árabe dependia da atitude que assumiam diante da nova religião: se a aceitavam, faziam parte da comunidade; se continuavam fiéis ao cristianismo, podiam manter suas propriedades, mas eram obrigadas a pagar tributos; se resistiam com armas eram aniquiladas. Portanto a resistência armada não foi o caso mais geral, afinal os tributos teriam que ser pagos quer o senhor fosse cristão, quer islâmico.

 Assim, segundo Bassetto, foi a religião o factor fundamental de distanciamento entre as populações árabes e românicas, concluindo-se que também foi um fator de distanciamento entre as línguas latinas e arábicas. No entanto, nesse período, a população visigoda dividiu-se em: moçárabes, que permaneceram cristãos, e muladis, que se converteram ao islamismo, mas continuaram com a língua romance.

Durante o período de conquistas, os árabes ampliaram seu conhecimento através da absorção das culturas de outros povos, levando-as adiante a cada nova conquista e espalhando-o por seus territórios. A cultura árabe caracterizou-se pela construção de palácios e mesquitas com seus jardins exuberantes. Destacam-se, nestas construções, os arabescos para ilustração e decoração, nos quais houve o emprego e a disseminação da geometria e álgebra aplicadas.

 A literatura também teve um grande valor, com obras até hoje conhecidas no Ocidente, tais como: As mil e uma noites, As minas do rei Salomão e Ali Babá e os Quarenta ladrões. Especificamente na Península Ibérica, assim como o Império Romano floresceu na Bética, também o Império Árabe floresceu ao sul da península. 
Sevilha foi um grande centro irradiador de sua cultura, principalmente durante o século XI e XII, ali se desenvolveram a medicina, filosofia, direito, história, astronomia, teologia e as letras, com grande destaque à poesia. Como personalidades importantes culturalmente desse período, destacam-se Averróis (1126-1198) e Maimônides (1135-1204). Ainda que a cultura árabe, com sua técnica e ciência, tenha sido muito mais refinada e, sob determinados aspectos, muito mais desenvolvida que a dos povos românicos ali instalados, é curioso notar que a língua dos dominadores não se sobrepôs à dos dominados.

É interessante notar também que a duração do domínio árabe variou muito de região para região na Península Ibérica. Nunca chegou a ser exercido nas terras mais setentrionais, pois ao norte do Rio Ebro já retornara ao domínio cristão em 809. O Porto e Braga foram conquistadas pelos cristãos em 868, Coimbra em 1064 e Lisboa em 1147. 

Já Sevilha, Córdoba e Faro fizeram parte do Império Árabe durante cerca de seis séculos e Granada somente deixou de fazer parte deste domínio no final do século XV. Apesar do grande legado linguístico deixado pelos árabes, principalmente no castelhano, segundo Saraiva as variações do domínio árabe em cada região repercutiram diretamente na intensidade da influência da cultura árabe sobre as populações peninsulares, mas foi limitada na linguagem: não deixando vestígios na sintaxe e no léxico contribuindo com cerca de oitocentos vocábulos.

Segundo Barraclough & Parker durante o Império Árabe também houve invasões na Península Ibérica de normandos (“homens do norte”), povos provenientes da Escandinávia, guerreiros-marinheiros que entre o século VIII e o século XI pilharam, invadiram e colonizaram as costas da Europa e ilhas Britânicas.

Estes povos, que manejavam muito bem as embarcações à vela, marcaram sua presença nas costas do Atlântico e, posteriormente, do Mediterrâneo. Embora sejam conhecidos principalmente como disseminadores da destruição, fundaram povoados e fizeram comércio pacificamente. Entretanto, em 844, costeando a Península Ibérica, desde o Cantábrico até o Mediterrâneo, saquearam Gijón, A Corunha, Lisboa, Beja, o Algarve, Cádiz e Sevilha. Posteriormente, em 859, atacaram Valência, as Ilhas Baleares e Barcelona. Porém, parecem ter deixado poucas influências linguísticas em seu rastro pela Península.

Segundo Saraiva o que realmente teve impacto marcante na formação das atuais línguas da Península Ibérica foi o processo de reconquista dos territórios peninsulares por pelos cristãos, cujo início é a ruptura do Império Árabe, seu enfraquecimento político após a crise dos Omíadas, bem como a distância entre al-Andalus e o centro do Império na Península Arábica, além do desinteresse dos árabes pelo norte ibérico.

Em 756, de acordo com Barraclough & Parker Abd ar-Rahmān, o único sobrevivente dos Omíadas da revolução árabe que levou os Abássidas ao poder do Império, fugiu da Península Arábica e, ao chegar a al-Andalus, proclamou ali sua independência com a capital em Córdoba, tornando-se o novo califa da região. Abd ar-Rahmān I, reestruturou o seu regime monárquico, baseado nas anteriores monarquias visigodas, como também reestruturou as instituições administrativas e fiscais adaptando-as à realidade social da região.

No século VIII, Al-Hakam (796-822) conseguiu reestruturar o exército de al-Andalus, entre outras coisas, por meio de incentivos e da manutenção de um salário permanente, com o qual pode conter diversas revoltas internas e enfrentar o primeiro ataque forte dos povos cristãos do norte provenientes do reino de Astúrias de Alfonso II.

Nas primeiras décadas do século IX, o governo de Abd ar-Rahmān II, centralizado em Córdoba, promoveu uma melhoria nas condições sociais das populações andaluzas e introduziu algumas regalias aos muladis, incentivando a conversão religiosa ao Islamismo. Entretanto, a partir da segunda metade do século IX, começou a ocorrer uma grande crise política com a revolta de várias regiões que estavam submetidas ao poder central do emirado de Córdoba, conforme o Mapa 8. Além disso, nesse período também ocorrem revoltas e descontentamentos da população moçárabe e cristã, devido ao processo de hegemonia árabe, a “arabização” cultural que deixava à margem social os não muçulmanos, aliada a bérberes e muladis irritados com as diferenças a favor dos árabes e sírios.


Durante o governo de Abd ar-Rahmān III (912-961), o território de al-Andalus, principalmente a partir de 914, passou a sofrer com as intensas ofensivas dos reinos cristãos do norte da Península Ibérica, que já se organizavam ao redor de sua capital León; bem como, em menor medida, dos Condados Catalães. Com o fortalecimento de seu exército sob um regime repressivo, Córdoba conseguiu o apogeu político durante o século X, passando de Emirado a Califato, conseguido com o prestígio dos generais Galib, Al-Mansūr e Abd al-Mālik; e com as diretrizes governamentais de Abd ar-Rahmān III, seguidas por seus sucessores Omeídas: Al-Hakam II (961-976) e Hisām II (976-1009).

Durante o século X, houve um grande desenvolvimento das cidades e do comércio provocando um auge cultural que continuou por boa parte do século XI, alterando a base da economia e produzindo uma mudança social. Os moçárabes perderam força e diminuíram em número e passaram a aceitar a língua e cultura árabes. No âmbito político, que não mais se respaldava no exército já enfraquecido, o território foi dividido em reinos Taifas, cujos governadores eram supostos representantes do poder central de Córdoba. Alguns reinos foram governados por dinastias bérberes, outros por muladis ou por árabes já integrados na sociedade autóctone. Os Reinos importantes absorviam os menores, principalmente na fronteira com os cristãos, e ao sul, destacavam-se o Reino Taifa de Sevilha com governo andaluz e o de Granada sob o governo bérbere dos zíries, conforme o Mapa .

Com o estabelecimento da segregação dos territórios cristãos e muçulmanos, os Taifas fronteiriços passaram a pagar impostos aos Reinos Cristãos, que aumentavam sua pressão militar e tributária. Em 1085, os cristãos conquistaram a cidade de Toledo, como consequência, os reinos Taifas aliaram-se militarmente aos almorávidas de Magribi, que passaram da condição de aliados à de donos do poder político. A entrada dos almorávidas norte-africanos, suas vitórias sobre os cristãos e seu domínio político em al-Andalus, frearam, por algum tempo, a expansão do processo de reconquista.
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 Entretanto, no início do século XII, com a intransigência, houve a perseguição e a expulsão das minorias não muçulmanas, principalmente moçárabes e judias, que passaram a se fixar em território cristão. Pouco depois, iniciou-se a decadência e as divisões internas, o que permitiu aos cristãos a retomada e o sucesso do seu empreendimento de expansão: a Reconquista.

Segundo Bassetto (2001, p. 150), no contexto da reconquista situa-se a origem de Portugal. Sabe-se que os árabes não foram além dos Montes Cantábricos, ao norte dos quais, inicial sob o comando de Pelaio, foi-se formando uma região independente de cristãos que, em 718, veio a ser o reino de Astúrias. Com Afonso I, rei de Astúrias, e suas guerras na Galiza contra os muçulmanos, o Rio Douro foi uma das fronteiras entre cristãos e árabes, conforme o Mapa.


De acordo com Alexandre Herculano, apud Saraiva (1999: 39-40), Afonso I reconquistou uma enorme região que incluía toda a Galiza, o Minho, o Douro e parte da atual Beira Alta, “passando os mouros a fio de espada”. Entretanto, para Saraiva a guerra não era religiosa, já que os muçulmanos permitiam outras religiões, mas para apoderar-se das terras por meio das colonizações.

Dessa forma, nasciam poderes representados por chefes locais entre os quais se estabelecia uma hierarquia nem sempre bem definida, intercalada de episódios de submissão e de rebeldia. Alguns nobres governavam terras por nomeação dos reis, outros por as terem ocupado; na tradição da nobreza ibérica ficaram vestígios dessa nobreza que entendia nada dever aos reis. Seus títulos eram de condes e se caracterizavam por ser um misto de proprietários, guerreiros, governadores e salteadores. Faziam a guerra quando os reis os chamavam, mas não faltam exemplos de guerras entre si ou contra os reis e até contra cristãos, conforme Saraiva .

As colonizações deram origem ao processo de regionalização peninsular. Iniciaram-se na região galega e organizaram Estados independentes que se aproveitaram do enfraquecimento do Império Árabe no século IX para impulsionar a expansão cristã com a Reconquista de Leste a Oeste, bem como em direção ao Sul, conforme o Mapa.


De acordo com Saraiva os novos países cristãos da península formaram-se a partir de três núcleos distintos: o asturiano, que veio a originar o reino de Oviedo, de Galiza e depois de Leão e Galiza e o condado de Castela, independente durante alguns anos, depois transformado em reino e que desde 1037 andou unido ao de Leão; o pirenaico, de onde saíram os reinos de Pamplona e depois Navarra, o condado de Aragão, que logo se tornou reino, alguns condados mais ou menos independentes; e o catalão com o condado de Barcelona, onde os francos tiveram um papel importante.

No Mapa, que ilustra os territórios de Sancho III, pode-se notar claramente os três núcleos: o reino de Galiza e Leão, e o condado de Castela que representam o núcleo asturiano; o reino de Pamplona, os condados de Aragão, Sobrarbe e Ribagorza que representam o núcleo pirenaico; e os condados catalães.


Nessa imprecisão política, aparece com frequência o nome da Galiza, ora como reino, ora como condado. Seu limite ia até o curso do rio Douro, mas dentro dele havia outros territórios governados por condes que dependiam do reino de Leão.
 Nos primeiros anos da Reconquista, a importância da região galega aumentou ao se descobrir em 813 o túmulo do Apóstolo Santiago em Compostela, que se tornou o patrono da Reconquista cristã. Segundo Monteagudo (1999, p. 97-98), no final do século XI e durante o século XII, no mundo cristão houve uma retomada da religiosidade: com um auge de peregrinações, bem como a organização das primeiras Cruzadas contra aos “infiéis”. Nesse contexto, por sua vez, o mosteiro de Cluny liderou o movimento de reforma na vida religiosa católica.

Daí, com o fortalecimento do clero galego cuja sede é em Lugo, Santiago de Compostela tornou-se o terceiro maior ponto de peregrinação, posição conservada até hoje, somente perdendo em importância para Jerusalém e Roma.
Por influência de Cluny, o caminho original à Santiago foi ampliado até o reino dos francos tornando-se conhecido como a rota francesa, que no século XI foi reformada para atender a demanda de peregrinos, conforme Mapas




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Em muitos dos antigos territórios cristãos, os Caminhos de Santiago de Compostela, que em sua maioria retomavam as vias romanas, ajudaram a formar grande parte dos fenômenos de imigração e transformação da colonização cristã desde o século XI até o século XIII. Pode-se lembrar também a importância, até o século XIV, da rota portuguesa a Santiago, partindo das Cidades: do Porto, Braga e Coimbra (posteriormente prolongado até o Algarve), na manutenção dos territórios bem como da língua e cultura galego portuguesas nos novos territórios.



Segundo Monteagudo desde meados do século XII, na Galiza começou-se uma grande reestruturação rural e urbana, concomitantemente na Catalunha, graças a numerosas cartas que outorgavam terras a condes, que favoreciam o renascimento urbano e acolhiam imigrantes, peregrinos, comerciantes e membros dos exércitos.

Esse modelo de colonização colocava os falares românicos sobre o árabe, e a reforma de Cluny retomava o latim no âmbito religioso, espalhando-os com a reconquista, pela Península Ibérica. Segundo Bassetto no avanço rumo ao sul, a reconquista encontrava populações moçárabes, mais ou menos arabizadas, mas que haviam conservado, pelo menos em parte, seus falares românicos, agora associados à fé cristã. Dessa forma, os falares românicos passaram a designar a identidade de um povo.

Apesar do Mapa  fornecer uma visão conjunta das conquistas cristãs sobre os territórios muçulmanos, o processo não foi tão unificado. Por volta do ano 800, Castela era apenas um condado de Astúrias e, posteriormente, de Leão. Em 1029, Sancho II, rei de Navarra herdou Castela e depois dividiu o seu reino em três: Aragão, Navarra e Castela. Com Fernando I (1035-1065) o reino de Castela se uniu ao de Leão, que em conjunto com Berenguer I de Barcelona passaram a cobrar impostos dos reinos Taifas. Com Alfonso VI de Castela e Leão (1065-1109) houve a anexação de Toledo em 1085 e o reino Taifa, com el Cid como herói.


No reinado de Alfonso VII (1126-1157), Castela tornou-se o centro cristão, enquanto Aragão e a Catalunha se uniram a Berenguer IV desde 1137 e o condado de Portugal tornou-se independente desde 1139 com Afonso Henriques. Enquanto Alfonso VII completava o domínio do rio Tejo (1147), Afonso I de Portugal tomava Lisboa (1147) e Berenguer IV conquistava Tortosa, Lérida e Fraga. Com a morte de Alfonso VII, Leão e Castela separaram-se até 1230. Na segunda metade do século XII, as alianças e guerras entre cristãos e os reforços muçulmanos frearam parcialmente a reconquista, obrigando os cristãos a reorganizarem seus exércitos.


Em 1212, Alfonso VIII de Castela conquistou Tolosa. Portugal, depois do tratado de Sabugal (1231) com Castela e Leão sobre a expansão, conquistou o Alentejo em 1232 e o Algarve em 1239, já definindo, praticamente, suas atuais fronteiras.
 Em 1230, com Fernando III, os reinos de Castela e Leão uniram-se fortalecendo e aumentando o poder político. Nesse período, com o enfraquecimento dos reinos muçulmanos, a reconquista avançou em direção a Valência, Ilhas Baleares e Múrcia, com Jaime I de Aragão, em 1238; e com Fernando III conquistou Córdoba, Jaén e Sevilha em 1248.
 No período de 1262 a 1263, Alfonso X (1252-1284), rei de Castela, incorporou as serras da baixa Andaluzia, conquistou Cádiz e Niebla em 1264, e expulsou quase todos os muçulmanos da Andaluzia cristã.
 Com ajuda de Jaime I, completou o domínio de Múrcia. Entretanto, as circunstâncias políticas e econômicas para completar a colonização puseram um fim no avanço da reconquista no final do século XIII, conforme os Mapas .


A capacidade defensiva do reino de Granada ao receber apoio entre 1275 e 1350, fez com que resistisse até 1492, quando a força militar da união dos reinos de Castela e Aragão, com Isabel e Fernando, o anexou.

Dessa maneira, cada falar românico foi-se desenvolvendo de acordo com o prestígio político de seu reino e sua importância dentro do contexto da reconquista cristã. Segundo Bassetto (2001, p. 235), até meados do século XI, o castelhano era apenas o falar da região de los castillos, Castela, que convivia com outros falares provenientes do latim. Durante o reinado de Alfonso X, século XII, o castelhano já era a língua oficial do reino de Castela e Leão, ainda que outros falares também fossem usados nos seus devidos contextos.

Segundo Menéndez Pidal a força política que o reino de Castela veio a exercer sobre a Península teve um papel fundamental na definição de seus falares. Para o autor, Castela cresceu politicamente anexando os reinos a sua volta e estendeu o seu domínio político e linguístico “em forma de cunha”, em direção ao sul. Assim, a força política do castelhano não deixou que outro falar se desenvolvesse, apenas em suas periferias o galego e o catalão o conseguiram diante da sua forte presença, ao passo que impediu o leonês e o aragonês, sem, contudo, conter o euskera. 

O português, no entanto, por representar um reino forte e independente, desenvolveu-se e irradiou-se desde seu centro cultural, para as regiões que foram conquistadas por Portugal, e, posteriormente, pelas regiões de além-mar dos descobrimentos. Pode-se notar que a divisão dos reinos cristãos no século XIII, ilustrada no Mapa 19 é muito semelhante à divisão atual dos falares na Península Ibérica (Mapa) atestando Menéndez Pidal (1968) e Bassetto (2001).




sexta-feira, 17 de março de 2017

Histórias Perdidas da Lusitânia

Histórias Perdidas da Lusitânia 

Para recriar a vida e os costumes dos povos pré-romanos que habitaram o território de Portugal o autor recorreu às informações que a história, a arqueologia e a linguística nos revelam, mas pretendendo criar um mundo de fantasia permitiu-se alguns anacronismos e outras cedências à imaginação. Assim, a acção de Histórias Perdidas da Lusitânia decorre durante a Idade do Bronze, época que precede em alguns séculos as primeiras referências à presença dos Lusitanos na Península Ibérica. Para além disso, uma das fontes usada para a construção desta Lusitânia foi a obra Monarquia Lusitana, escrita no século XVI, por Frei Bernardo de Brito. Trata-se da primeira História de Portugal escrita em língua portuguesa, na qual o autor relata um passado fantástico dos Lusitanos e faz referência a uma pouco credível dinastia de reis ibéricos fundada por Tubal, neto de Noé.

As Histórias Perdidas da Lusitânia contam-nos que os primeiros habitantes da Lusitânia e da Galécia foram os Estrímnios  (Oestrimni). Nesse tempo estes dois territórios tinham por nome Estrímnia e durante milhares de anos os Estrímnios habitaram-na, protegidos pela Deusa-mãe, que lhes garantia a fertilidade dos campos e dos animais. Não se sabe qual é a origem deste povo, pois é tão antigo que não há memória que registe os acontecimentos dos tempos em que ele surgiu. Da Deusa-mãe receberam o conhecimento que lhes permitiu erguer grandes construções: sepulcros majestosos com que os homenageavam os seus mortos, simulando o retorno ao útero da deusa; e recintos sagrados, nos quais erguiam grandes pedras verticais, de cuja finalidade guardaram segredo.

Um dia, pouco depois do Dilúvio – ninguém sabe como sobreviveram os Estrímnios ao Dilúvio. vindos de leste, chegaram os Sefes, (ou saefes,ou ofis, do grego όφις, de onde também Ophiussa, terra das serpes) guiados pela sua deusa-serpente, Ofiusa. chegando á Península Ibérica arredor do 900 A.C. a través dos Pireneos.
Estes eram menos numerosos que os Estrímnios, mas os últimos eram um povo de agricultores pacíficos e os Sefes, além de bons guerreiros, possuíam sacerdotes que eram senhores de uma magia malévola e quase exterminaram os Estrímnios, tendo sobrevivido apenas alguns povoados dispersos pelo território que antigamente dominavam.
Mais tarde chegaram à Hispânia os Galaicos e os Lusitanos, tendo encontrado vestígios da grande destruição causada pela guerra que os Sefes moveram contra os Estrímnios – povoados destruídos, campos de cultivo arrasados, sepulcros violados e reutilizados pelos Sefes – e povo de Ofiusa reagiu com violência à chegada destes novos povos ao território que tinha acabado de conquistar.
Então iniciou-se uma guerra que os Sefes perderam, tendo ficado confinados a um pequeno território. Os deuses galaicos e lusitanos impediram a deusa-serpente de se intrometer no conflito e a superioridade guerreira destes dois povos impôs-se à poderosa magia dos Sefes, que foram empurrados para o estremo noroeste da Hispânia.

Depois da guerra instaurou-se uma dinastia de réis, descendentes de Tubal, neto de Noé, que unificou todos os povos da Hispânia. Durante cinco séculos a Hispânia foi governada por soberanos que a tornaram um reino próspero e desenvolvido, mas quando morreu Ulo, era tanto o amor que dedicavam a este rei, que os Lusitanos se recusaram a aceitar o seu sucessor e retiraram-se para os territórios montanhosos do interior, chorando o seu último soberano.
O deus Larouco quis interferir para evitar o desmoronamento do reino, ou pelo menos para manter os Galaicos, o povo que tutelava, unidos como nação, mas os outros deuses impediram-no, considerando que chegara o tempo em que os homens deveriam tomar o controlo dos seus actos. Irritado, Larouco quis voltar à terra dos deuses, mas Endovélico não lho permitiu, por ainda não ter chegado o momento destinado a isso. Então um dia, Larouco destruiu a fortaleza onde vivia e desapareceu.

Decorreram muitos anos durante os quais os homens sábios e grandes réis da Hispânia morreram sem surgirem outros à altura de lhes herdar o trono. Os Lusitanos, o povo mais forte da península, entregara-se a uma profunda depressão, emigrado nos ermos montanhosos, vivendo como se recusasse o futuro e arrastando a Hispânia para o declínio. As grandes cidades foram abandonadas e a sabedoria dos grandes reis perdeu-se.
Os Sefes aproveitaram este enfraquecer da península iniciando novas batalhas e conquistas, espalhando o seu poder e as trevas pela Hispânia.

No entanto, no sul subsiste um reino repleto de tesouros, que guarda o conhecimento dos tempos antigos em rolos de papiro, constrói grandes casas como as de antigamente e tem uma poderosa frota de barcos nos quais marinheiros viajam e comerceiam com povos distantes. Esse reino chama-se Tartessos, mas entre os Lusitanos e Galaicos, há quem duvide que a sua existência seja mais que uma lenda.

domingo, 17 de março de 2013

Geopolítica Portugal

PORTUGAL TEMPLÁRIO

Os Templários na Formação de Portugal.

«No final do século VI, o rei Suevo, o visigótico e suas elites converteram-se ao catolicismo romano. Na origem destas conversões devem estar factores políticos, ou seja, o clero católico era mais organizado, tinha bibliotecas, sabia latim, etc. Todavia, da mesma maneira que muitos hispano-romanos continuaram católicos apesar da invasão dos povos bárbaros, que se converteram ao arianismo, também a adopção do catolicismo por parte das elites suevas e visigóticas não significa, de nenhuma forma, que o povo seguisse o mesmo caminho, pelo menos de coração. As crenças religiosas não se mudam por decreto. E é um facto que, no tempo da reconquista cristã, os abades de Cluny, que vieram para a península, tiveram como uma das missões acabar com as crenças heréticas dos moçárabes. Pelo menos no Ocidente peninsular, não conseguiram ter um êxito completo nesse objectivo.

Antes disso, em 711, deu-se a invasão muçulmana. O exército de 18.000 berberes, comandado por Tarik, entrava na Península. A expansão do mundo islâmico foi uma bênção para todos os cristãos que eram perseguidos pelo catolicismo, desde a Ásia Menor, passando por todo o Norte de África até à Península Ibérica. Os judeus peninsulares, que começam a ser ferozmente perseguidos a partir dos inícios do século VI por instigação do clero católico, também beneficiaram da invasão muçulmana. Infelizmente, só recentemente se tem começado a dar maior visibilidade histórica aos quatro, cinco séculos de dominação mourisca no território português. Como sabemos, a sua influência deixou marcas de maior relevo no sul do país. O seu nível cultural, civilizacional e tecnológico era muito superior ao do reino visigótico peninsular. No geral, não perseguiam os cristãos nem os judeus. Os capitães eram maometanos e, na época, muitos seguiam os preceitos corânicos:
  •  Não façais violência aos homens por causa da fé;
  •  Não discutis com os judeus e cristãos se não em termos amigáveis e moderados.


Aliás, era-lhes favorável a existência de moçárabes (cristãos sob domínio islâmico) e judeus, dado que estes pagavam mais tributos ao governo. Desenvolveram uma civilização notável para a época, como ainda hoje o demonstram os seus monumentos em Córdova e Granada (Alhambra). Construíram ricas bibliotecas e desenvolveram centros de cultura, tendo demonstrado uma especial atracção pelo oculto.

Os mouros eram profundamente versados em ciências ocultas e, em Toledo, Sevilha e Salamanca estiveram, numa certa época, as grandes escolas de magia [a magna ciência dos mistérios]. Os cabalistas desta última cidade eram hábeis em todas as ciências abstrusas, esotéricas; conheciam as virtudes das pedras preciosas e de outros minerais e extraíram da Alquimia os seus mais profundos segredos. Existiam também muitos mestres sufis. Estes, de certa forma, eram os gnósticos do islão pois conheciam em profundidade o esoterismo maometano e praticavam técnicas que levavam ao êxtase ou, como diria hoje a moderna psicologia, a estados modificados de consciência. Aderiu ao sufismo uma elite numerosa de homens inteligentes. Estes, tal como os Templários, eram profundamente tolerantes para com todas as formas exotéricas de religião. O sufi Muhyi'd-Din ibn'Arabi (século XIII) afirmou:´

"O meu coração abriu-se a todas as formas: é uma pastagem para as gazelas, um claustro para monges cristãos, um templo de ídolos, a Caaba do peregrino, as tábuas da Tora e o livro do Corão. Pratico a religião do Amor; qualquer que seja a direcção em que as cabanas avançarem, a religião do Amor será sempre a minha religião e a minha fé."

Segundo o cronista da saga do rei Sigur, Lisboa tinha, no início do século XII, 200.000 habitantes, metade deles cristãos! Embora se deva aceitar este número com alguma reserva, Lisboa deveria ter uma magnitude espantos a para a época. Nenhuma cidade do condado portucalense deveria ter mais de 10% da população citada. Estima-se que Portucale (Porto) tivesse 3.000 habitantes. Através deste cronista, ficamos igualmente a conhecer a expressão da população moçárabe; 50% em Lisboa. Jaime Cortesão não hesita em afirmar que o moçárabe foi uma das traves mestras da nacionalidade e vê nele um antecedente importante da vocação marítima dos portugueses:

"O moçárabe foi um cristão e um românico, que produziu, se deslocou, vestiu, divertiu e, enfim, viveu à maneira dos árabes, mas conservou intacto o cerne e a essência do carácter. Feitas estas reservas, bem se pode afirmar que o moçarabismo representa uma fusão de culturas, sem abdicação do que há-de medular na personalidade de origem (...) O rápido despertar do povo português para o seu género de vida típico, o comércio marítimo à distância, só pode explicar-se pela sua longa aprendizagem na escola árabe. O tráfico à distância, por terra e mar; foi de longa data o género de vida típico dos árabes. Vivendo em íntimo contacto com estes ou com berberes arabizados, os moçárabes partilham, em proporções peninsulares, daquela formação vital.”

A função dos Templários era basicamente pegar todo esse conhecimento sigiloso e transmiti-lo secretamente. Isso deu origem às escolas herméticas. Quando a igreja quis expandir seu poder, verificou que os templários eram poderosos guerreiros, com dinheiro e muita informação, muito conhecimento e os usou para expandir o poder da Igreja, o poder de Cristo, o poder de Jesus.

Os templários foram usados pela Igreja para expandir o poder e expulsar os Mouros da Península Ibérica, que não eram católicos, eram muçulmanos, árabes. Quando a igreja percebeu que os templários eram excelentes aliados, mas que também detinham o conhecimento dos apócrifos bíblicos, e viram que chegaram a um ponto que não havia mais como expandir, deram ordem de extermínio a Ordem Templária. Fizeram isso para se apropriar do que a Ordem tinha e resgatar todo o material e convertê-los definitivamente em apócrifos, fora do conhecimento do povo.

Então, a ordem era exterminar a Ordem Templária, por mando do papado. Os templários se subdividiram e criaram uma nova ordem secreta, que viria a ser muito tempo depois, chamada de Maçonaria

A Maçonaria por sua vez se envolveu com a cúpula política, de forma secreta, sem o conhecimento da Igreja. Porém, como alguns membros foram torturados e acabaram revelando, a Ordem Maçónica.

Esta por sua vez, foi chamada de Iluminados da Bavaria, trocando de nome em outros países para escapar das torturas e da Inquisição. Em outro momento passou-se a ser chamada de Ordem Rosa-Cruz. Então, todos são derivados de uma única Ordem, que tinha o nome mudado para escapar das torturas e perseguições da igreja católica.

A Ordem Templário escondia e transmitia o conhecimento deixado por Jesus, segundo a interpretação de Tiago, que é uma das interpretações do trabalho de Jesus. Há interpretações de João, as de João Batista, e de várias outras linhagens.

Algumas pessoas durante a iniciação recebem a informação de terem pertencido a Ordem Templária ou suas derivações porque tem hoje que libertar os Templários, que deram a vida para vos salvar e para resguardar o trabalho de Tiago e de Jesus. O número de templários que foi morto não se sabe. A Ordem era muito grande, então não dá para definir o número de membros, porque é uma ordem que durou um longo período da história, além das mudanças de nomes.


É muito grande o número de Templários que foram massacrados, assassinados pela Igreja, pelos Mouros, e mesmo por outros grupos. Calculo que no momento existam mais de 18,7 mil membros da Ordem Templário ainda em sofrimento umbralino. Eles devem ser resgatados, e por isso eles aparecem no trabalho de alguns de vocês. Eles querem ajuda, querem ser encaminhados, porque eles prestaram serviço pra Jesus e “Jesus ainda não o veio buscar”, segundo a reclamação deles.


O Yaslon, quando esteve em Portugal, fez diversos trabalhos de libertação de Templários nos castelos que ele visitou, já libertou mais de 5 mil membros. Mas ainda existe um elevado número a serem libertados. São pessoas que estão esperando. A última libertação que ele fez foi num castelo templário em cima dos túmulos. Ele encaminhou as entidades, mas esses templários também estão clonados no umbral, então número é maior ainda.


Para realizar esse trabalho de libertação  vocês devem abrir os portais, as colunas lúdicas de limpeza e identificação, vocês focam num mapa da França, por exemplo, e começam a limpar. Mas vocês deverão estar bem ancorados, pois irão directamente de frente a Ordem do Dragão Negro. É um trabalho delicado, que pode resultar em chipagem, todos esses problemas que estamos explicando a vocês nas diversas técnicas.

Foi principalmente na Península Hispânica, e em particular em Portugal, nas campanhas de reconquista contra os mouros, que os Templários mantiveram a sua acção de luta pela propagação da fé cristã. Como em França e na Inglaterra não tinham as mesmas condições dedicaram-se sobretudo à actividade financeira, o que os tornou odiosamente vítimas da inveja dos grandes senhores feudais e mesmo de réis  Para tal, contornavam as disposições da igreja que proibiam os cristãos de exercer tal actividade.

Foram até banqueiros do Papa, de reis, de príncipes e de particulares. O seu grande poderio financeiro pô-los mais tarde em conflito com a maioria dos soberanos, ao pretenderem estes defender os seus interesses e dos seus vassalos, que com jactância cobiçavam as suas riquezas, denunciavam publicamente às mais altas instâncias eclesiásticas, a duvidosa origem lícita dos bens dos Templários. Por assim dizer, eram um estado dentro doutro estado, que originavam muitas vezes graves perturbações de prosperidade económica no entender dos ditos soberanos.

Os Templários na Península Ibérica tiveram uma actuação benemérita que foi reconhecida e recompensada pelos reis com benefícios importantes. Estavam isentos de impostos e da jurisdição episcopal como os censos eclesiásticos gerais. Ao contrário do que ocorria em França e na Inglaterra, na Península Ibérica os reis concediam-lhes privilégios e doações de territórios muitos dos quais situados nas fronteiras, de preferência em zona de combate e de vanguarda cristã contra os mouros.

O NOBRE CRUZADO BORGONHÊS HENRIQUE FUNDA A DINASTIA TEMPLÁRIA DO CONDADO ‘‘PORTUGALENSIS ‘’

« dedit maritatam Enrico camiti, et dotavit eam magnifice dans portugralesem terra juce heriditaria ».
1.    D. Henrique 1096 1112 Pai de D. Afonso Henriques
2.    D. Teresa 112 1128 Regente na menoridade do filho (r. 1112 - 1128), com o título de regina («rainha»). Mãe de D. Afonso Henriques.
3.    D. Afonso Henriques 1128 1139 O Conquistador O Fundador O GrandeSabe-se que os condes Borgonha D. Henrique e D. Raimundo chegaram à Península Ibérica no final do século XI a convite de Afonso VI de Leão e Castela, como fronteiros e em espírito de cruzada para auxiliar na defesa e na reconquista contra os Almorávidas D. Henrique

O Conde D.Henrique, 4° filho de Henrique de Borgonha, bisneto de Roberto I de França, irmão dos duques Hugo e Eudes de Borgonha, e sobrinho-neto de S. Hugo, abade de Cluny, foi no seu tempo na Península um dos representantes mais activos do espírito europeu da época.

É natural que os réis de França quisessem que os duques de Borgonha concretizassem a sua vassalagem, e como em teoria eram sujeitos da coroa, fruíam de uma independência que não era vista com bons olhos pelos réis de França.

 Revelada a expansão do Catarismo no Languedoc que se estendeu pela Borgonha, Provença, e por Aragão, os borgonheses viram-se envolvidos nas campanhas albigenses.
D. Henrique, como cruzado foi atraído por zonas de combate contra os infiéis e quis ligar à Terra Santa a sua posição de fronteiro do Ocidente.

Tendo acompanhado o seu primo Raimundo na Cruzada contra os sarracenos, visita na Península Ibérica a sua tia a rainha Constança de Leão, tendo sido convidado pelo rei leonês Afonso VI a ajudá-lo no combate aos infiéis no condado Portugalensis - Portus-Calixis – o mesmo que Porto Graal ou Portugal, nome proveniente do Cálice sagrado, um dos símbolos paleo – cristãos particularmente venerado pelos Cátaros e pelos Cavaleiros Templários.

Para compensar D. Henrique dos serviços prestados na sua luta contra os mouros, o rei Afonso VI,  no ano de  1095  dá-lhe em casamento  a sua filha D. Tareja, oferecendo  como dote o  ‘fronteiro’ condado PORTUGALENSIS, integrado nos estados do rei de Leão,  no que restava da antiga Lusitânia. Este condado surge em meados do século IX abrangendo ao norte o Alto Minho, para o oriente a hoje província de Trás-os-Montes, Douro, e Coimbra. O distrito de Coimbra abrangia o Douro, Mondego, até ao Tejo; no ano de 1097 D. Henrique dominava o território do Minho a Santarém.


Os sucessos militares ocorridos na primavera de 1095 moveram Afonso VI a acentuar mais a separação do condado PORTUGALENSIS dos  outros territórios peninsulares, sem a qual era mais difícil continuar a  fazer a guerra na fronteira com os sarracenos.

 Segundo o testemunho da Crónica Lusitana, muitos franceses tinham passado os Pirenéus para participar na batalha de Zalaca, e ainda depois desta.       

Nada indica que o Conde D. Henrique tivesse abraçado a doutrina cátara, mas decerto como Bolonhês perfilharia as razões da luta do Languedoc contra as hordas capetianas, e condenaria as medidas repressivas tomadas pela Cúria Romana. Foi ‘cruzado’ e em Jerusalém contactara com os Templários a quem tinham sido revelados os princípios da religião ‘dualista’, com origem na antiga doutrina de Zoroastro.

A primeira referência a D. Henrique é de 1072, (Chartes de Cluny) e em 1082 num documento de Molesme é considerado ‘puer’. Na data do seu casamento em 1095 andaria pelos seus 30 anos de idade, pelo que se conclui que deveria ter nascido em 1065. Usava o manto de Cruzado pelo que se supõe ter estado na Terra Santa, e é entre estas duas datas que se distingue na fronteira sudoeste da Península Ibérica contra os Almorávidas  Formou a sua corte de fidalgos, artistas e sábios predominantemente borgonhesa e provençal, que continuou durante a dinastia de seu filho o rei Afonso Henriques.

Ao casar a sua filha Tareja (Teresa) com Henrique, Afonso VI não se limitou a entregar-lhe governo do condado PORTUGALENSIS  com a qual já frequentemente se confunde o distrito Coimbrense e o de Santarém debaixo desse nome comum. As propriedades regalengas, isto é, do património do rei e da coroa, passaram a ser possuídas como bens próprios e hereditários da coroa. É a estes bens que parece que se refere a célebre passagem da crónica de Afonso VII falando de Tareja


D.Teresa

O Conde D. Henrique nunca deixou de fazer viagens à Síria e à Terra Santa em Cruzadas. E como Cruzado morreu em 1112, na terra que tinha libertado dos infiéis. Seu filho, D. Afonso Henriques escolheria a Cruz de Cristo das Cruzadas de seu pai e templária como símbolos do escudo de armas que imortalizou na bandeira portuguesa.

Embora tenha sido criada para a defesa da Terra Santa é na Península Ibérica que os Templários em 1128 fazem os seus primeiros combates, quando D. Teresa  viúva do Conde D. Henrique - mãe de D. Afonso Henriques - lhes confiou a tarefa de conter o avanço do Islão e guardar as fronteiras do Sul do Condado PORTUGALENSIS.

1126 – Primeira doação aos Templários em Portugal: Fonte Arcada
Após a morte de D. Henrique a sua viúva D. Tareja concede à Ordem do Templo por foral de 1128 os castelos de Soure e Alpreade, e também a terra deserta e despovoada, entre Coimbra e Leiria.
. 1128 – Doação aos Templários, também por D. Teresa, do Castelo de Soure e das terras entre Leiria e Coimbra. Confirmação da Ordem dos Templários no Concilio de Troyes.

D. Afonso Henriques

1128 – Vitória do Infante D. Afonso Henriques sobre a sua mãe na batalha de São Mamede.
1131 – Redacção definitiva, por S. Bernardo de Claraval, da Regra Templários.
1140 – Vitória de D. Afonso Henriques sobre os mouros na batalha de Ourique.
1143 – Reconhecimento do título de Rex, usado por D. Afonso Henriques, com o apoio do Papa Eugénio III, que fora discípulo de Bernardo de Claraval. O Mosteiro de S. João de Tarouca passa à obediência de Claraval, seguido dos Mosteiros de Lafões, Salzedas, Sever, Fiães, S. Pedro das Aguias.